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Mostrando postagens de agosto, 2025

MEU PAI E MINHA MÃE

 Venho aqui tecendo pensamentos e atitudes que tomei durante a vida. Vão elas todas cheias de sentimentos, meus sentimentos. Que sinto-os à medida que vivo e os penso. Vão elas então como meditações de um solitário. Embora eu deteste falar em solidão. Simplesmente porque eu considero os livros e os impressos que me caem em mãos meus amigos. Amigos que me falam em silêncio e sobre os quais me é permitido responder lá no íntimo do meu coração. Estas respostas, as que dou aos impressos e livros que leio são palavras que eu registro em alguma forma. Alguns textos meus, em forma de ficção e poesia, são aceitos para publicação. Os que me ficam em mãos nem sempre eu os guardo nem comigo. Os que mais tem me tocado ultimamente são os que dizem respeito ao meu arrependimento e às minhas conversões que costumam ser contumazes. Meus arrependimentos de que? Perguntará o leitor ocasional. Arrependimento de uma vida mundana afastado de Deus. A Igreja, quando eu fui até ela para rezar uma missa, m...

NOTAS

A aqui estou eu, feliz, faço por estes tempos pouco mais de vinte anos de vida literária. E isto tem um significado imenso na minha vida. E por falar na minha vida com as palavras, sexta-feira última agora aprendi mais uma palavra. Estava lá D.Zózima, trabalhando na cozinha e eu passei. E ela interrompeu minha caminhada para dizer: - Fui ao Clemelsion e vi o Evaristo dos Correios. E ele estava chateado. E eu disse a ele: ficou magoído!? É que o time de futebol do Evaristo tinha perdido. Eu não perdi esta, me ri todo. E ela se deu por satisfeita. E vim para o meu quarto. Onde estava quieto quando o filho de D.Zózima chegou na porta para se despedir: - Quando quiser apareça. - eu disse a ele. Ao que ele respondeu imediatamente: - Estamos juntos. Eu digo aqui agora, estes dias tem sido felizes para mim em todos os sentidos. Cheguei do médico na mesma sexta-feira, e comentei com a D.Zózima: - Élcio (o motorista) estava meio macabúzio. E ela: -  Talvez esteja com algum probleminha. Real...

SEGUINDO O CAMINHO

 O dia começa e eu estou aqui escrevendo. Sempre quis ser escritor, desde menino, mas meu pai faleceu e eu tive de ganhar o meu pão de cada dia. Meu pai não era um homem sem previdência. Ele mandou construir uma casa, e nos aconselhou aos filhos: - Trabalhem e estudem. E nos deu o seu exemplo vivendo: ele mesmo trabalhou muito e também estudou. Claro, quem tem agradar a muita gente tem que ser artista. Um escritor é um artista na medida em que escreve bem. Se a sua obra literária vai ser um clássico, isso depende do esforço dele enquanto escritor. Mas olhemos os nossos escritores de antanho, são tão vários quanto é vária nossa humanidade. A humanidade brasileira tem a ver com o dito de um professor de filosofia meu. Ele disse: - O Brasil é mil. E o Brasil é mil mesmo. Vai do Chui ao Oiapoque. E em todos os seus estados existem escritores. Portanto, a humanidade brasileira é mil. Eu aqui, amei e desamei, como disse o poeta. E faz pouco mais de vinte anos que estreei nas letras. E co...

RECOLHO-ME EM ORAÇÕES

Por falar em dar, dizem que em nossa terra se plantando tudo dá. E eu espero o noticiário de segunda-feira. Claro, um pouco ansioso, que se dê um jeitinho e abra-se o canal de diálogo Brasil-EUA. Sem que se atrapalhe nada de nossos assuntos só nacionais. Claro que um cidadão de classe média quer o melhor para o Brasil. Não deviam os estrangeiros ir tão fundo quanto foram ao não compreender o nosso presidente. Mas isso, quem sou eu para dar palpite? Como recomendou o Papa Francisco, quem tem fé, reze pela paz. Estive lendo hoje um artigo sobre a esperança. E todos nós católicos devemos ter sempre esperança. E o Papa de agora é de nascimento norte-americano. E chegou a bispo no Peru, na América Latina. Eu não vou ousar em dizer que em nome dele oro. Mas eu oro a Deus, pedindo, que tudo se arranje e nós os brasileiros sosseguemos.  Sosseguemos no sentido de não ter preocupação. E que tipo de preocupação podemos estar tendo? Basta olhar na telinha da TV e ver as guerras. E quem quer ma...

POR FALAR EM NOVO

Às vezes eu paro e penso: me parece que tudo já foi dito. Mas continuo pensando: nem tudo foi dito. E está para existir aquela pessoas que pode dizer que já leu tudo. E se nem tudo foi dito, muito pode ser dito ainda. Claro, e li isso num livro lá pelos anos 1980. Estava lá, naquela época: eis um novo tempo. E me voltei para novas leituras. E de fato aquele que se abria para mim era um novo tempo. E me renovei. Não na minha idade cronológica, mas nas minhas ideias. E não as vivi, pensava nelas somente, nas novas idéias do novos literatos. E como eu lia desde menino, aquelas novas ideias não me perturbaram o espírito. Antes pelo contrário, vi que pessoas da minha idade tinha ido longe. E eu ficara quieto no meu canto, frequentando um faculdade de Filosofia. E aqui estou lhes contando como eu vivia. Agora que tudo já passou. Antes de aqui vir e escrever isto, eu estava pensando comigo, o que escrever hoje? E não estou mais pensando em ter pronta na mente a idéia a desenvolver. Estou escr...

AINDA SOLTEIRO

 E hoje, depois de nunca mais me casar, estou aqui entrando em férias literárias. Prometi a mim mesmo, que só escrevo ano que vem e se eu estiver vivo até lá. Não estou correndo perigo, não, nenhum. É que eu sei que para morrer basta estar vivo. E não adianta dizermos que não temos medo algum. Mas eu vi minha mãe morrer. E olha que ela já tinha noventa e um anos de idade. E estava de verdade adoentada. Quem mais cuidou dela nesta hora foram meus irmãos mais novos. E está próximo o aniversário de seis anos da morte dela. Ao chegar do enterro dela, que ocorreu em minha terra natal, eu disse à minha irmã caçula, que é quem me trouxe de lá até aqui: - Eu a adorava. Não tive nem gosto de me corrigir. O certo seria eu dizer: - Eu a amava muito. E era para mim que ela cantava a canção do filho pródigo. Que era uma canção que o Padre Fábio de Melo quem cantava, salvo engano meu. Eu trabalhei a vida inteira em outras cidades do interior do Brasil. E não fiquei rico, donde eu tiro a conclusã...

SOBRE O AMOR

 Falei de amor de um homem e uma mulher. Mas, muito antes eu me disse desiludido do amor. E é essa uma verdade minha.  Mas não é que eu culpe as mulheres. De maneira alguma eu faço isso. È que depois de divorciado eu tive uma namorada. A quem julguei amar.  Mas amar para mim tem um sentido mais fundo do que o simples "amor" a algum fazer ou objeto. Essas superficialidades eu as coloco como uma maneira de moda. Eu digo a mim mesmo: - Ao invés do simples: "Gostei!", dizem hoje "Amei!" Para mim, e não quero ser profundo, o amor inclui sentimento. E não esta superficialidade da atração física. Eu sou do tempo de "Quem ama o feio, bonito lhe parece." Não sei se me expresso bem. Ou melhor, se me faço entender.  É que estou vivendo uma época de desconstrução de EROS. Talvez esta época seja de definição de muitas coisas. Inclusive do amor. E eu já tenho meus setenta e um anos de idade. Em mim já não cabe dizer: "Desejo fulana fisicamente." Este...

O FILHO E O PAI

Aprendi vivendo que devemos ter autocontrole. O espírito comanda nossos atos e palavras. E os atos e palavras nascem do nosso pensamento. Nada melhor para que tenhamos um espírito mais ou menos são é o Ato Penitencial que rezamos todas as manhãs na missa. E eu hoje acordei e me levantei e fui tomar meu banho. Banhado me enxuguei e vim ao meu quarto me vestir. Rezei minha missa e aqui estou escrevendo. Quando escrevo eu penso para escrever, assim como eu penso para falar. Minha mãe me conhecendo como ninguém, julgava que o meu jeito de pensar para falar era devido a um sentimento meu de culpa. E querendo tirar isso a limpo me disse: - Meu filho, e aquele seu casamento? - Mãe, foi um erro. - eu disse. Ela me fitou e disse: - O filho é melhor que o pai. E eu conversando com a minha doméstica, de quem fiz uma amiga, contei isso a ela. Ela como mulher experiente, tendo sido esposa de um homem durante trinta e dois anos, disse: - Ela podia falar, viveu com seu pai e viveu com você. Eu, que n...

ARREPENDIDO ME CONVERTO

Decerto, é como eu costumo dizer. Mas, não se pode generalizar. Mas eram chegados os alegres oitenta, como o escritor Ignácio de Loyola Brandão chama aqueles anos de abertura política. E da nossa vida podemos falar, nem que seja hoje, com todos esses anos de atraso meu. Eu trabalhava, era bem remunerado. E por isso a toda hora me apareciam meninas à minha procura. Eu que não queria me casar de novo. E tudo isso acabou comigo que agora vivo aqui. E enfim sou feliz. Acabou comigo no sentido profissional. Mas é como dizia Goethe, elas têm os cabelos na cabeça mas é para enfeitar. Não é para dizer que têm cérebro. Mas como eu comecei dizendo, não se pode generalizar. Muitas delas pensam. E ai elas entram de acordo com Darwin. As melhores sobrevivem. Eu, porém, fico aqui a rezar. Criacionista que sou, a leitura dos textos bíblicos é recomendável. Mas eu sou um pecador confesso. Arrependido, faço minhas orações diariamente. E me converto sempre, a cada momento, e sem mentira. E arrependi...

FILOSOFIA, FÉ E LITERATURA

Eu sempre tive a tendência para as Letras. Por isso me meti num curso de Filosofia, para formado dizer que a Filosofia serviria para valorizar uma possível Literatura assinada por mim. Mas antes que o curso chegasse ao fim eu vi que não era o meu caminho. Abandonei então a Filosofia e acompanhei minha mãe e um irmão para cá, esta pacata cidade do interior de Minas. E eis que aqui as portas da Literatura se abriram para mim. Mas não a Literatura Filosófica. Tento a arte da palavra. E vou indo por este caminho e me sinto feliz. Mas antes de vir para cá, eu andei afastado da fé católica. Fé na qual fui batizado e fé que professei até ainda entrar na adolescência. Então na capital mineira, com a ajuda de minha mãe, fui a uma igreja e assisti a uma missa. Voltei para casa, e minha iniciação a minha conversão estava dada. Então chorei como uma criança. E vim para cá então. Aqui eu rezo todas as manhãs meu terço e minha missa. E tornei minha vida mais leve de viver. E mesmo assim eu leio semp...

ESCRITOR E EDITOR

Eu, aqui, esperando publicações de escritos meus, e os editores demorando tanto. Pensei comigo: não tem importância. Eu me viro. E, mudando de assunto, vou falar um pouco de angústia. Da angústia de um escriba. Eu sei que não sou o melhor escritor dos que surgiram agora. Mas os editores deviam ser mais respeitosos com nossos sentimentos. Principalmente aquele sentimento que antecede toda espera. A espera dos resultados impressos e publicados do que escreveram. Prometem e só prometem nos remeter nossos exemplares do que escrevemos. É que eu tenho meus compromissos relativos ao que pedi que imprimissem e publicassem. Principalmente eu, que já tenho para onde remeter os meus exemplares.  Não é só a minha vaidade de ser um escritor e ter como provar isto. É que esta espera me causa uma angústia terrível. E por falar de angústia, eu em quem encontraram o que diagnosticar. Me diagnosticaram com ansioso. E eu que me julgava angustiado. Não ouso contrariar o diagnóstico do profissional da ...

TRANSEUNTE

 Eu andava muito pelas ruas de Belo Horizonte. Era eu um office-boy. Nos sábados e nas horas vagas dos dias de semana eu comprava livros nas livrarias. Livrarias de Belo Horizonte. Era um tempo bom, sem dúvida. Os mais informadinhos que tinham possibilidade de ler coisas que lhes dissessem que havia censura no país, nos passavam este medo. Eu não havia ainda tomado consciência do fato. E era admitido no Colégio Municipal Marconi, de Belo Horizonte. Lá conheci um vice-diretor do colégio que me autorizou a colocar em circulação um jornalzinho mimeografado. Intitulei o jornalzinho de Transeute. Só Transeunte, e mais nada. O título me veio à mente num dia em que fui entregar uma matéria da empresa em que trabalhava num curtume no subúrbio. E o título pegou. Digo pegou porq ue o jornalzinho tinha vindo à luz no colégio com a ajuda de mais três colegas meus.  E como vibramos os quatro colegas com a nossa obra. E qual era a nossa obra? Claro, o jornalzinho TRANSEUNTE. Nome que não es...

FAZER DA ESCRITA UMA ARTE

Como dizia minha mãe, eu sou apenas um homem que escreve. E isso é bom, pois me impede de me tomar por alguém em especial. O que quero dizer com isso é que nós os seres humanos quaisquer que somos, eu e meus conhecidos, vivemos bem na face na terra; e eu venho aqui e registro o que posso. E ser um homem comum me deixa confortável nessa situação. Nessa situação de escritor. E ser um escritor só me veio esta vontade porque leio bastante. E leio bastante desde menino. Eu morava ao lado de uma igreja, a Catedral-Basílica de Nossa Senhora do Pilar, e eles, meus pais me estimulavam a ler. Como? Foi minha mãe quem me alfabetizou. E foi meu pai quem me deixou ver um homem já adulto, ele, gostar tanto de livros. E eu peguei o gosto pelos livros. E hoje leio pelo menos dois livros por mês. Já li mais. Considero até que os mesmos estímulos deveriam ser dados à meninada. Isso sem desprezar dos outros pontos da educação. E assim os pais, observando as inclinações dos filhos os deixariam prontos par...

NOVAMENTE ENTRE POETAS

Estávamos eu e minha irmã no Trem. O Trem é um restaurante famoso daqui. E conversávamos. Então eu disse: - Sou parente de Adélia Prado. E minha irmã perguntou: - Por que? E eu: - Porque como ela eu sou poeta e quase filósofo. E ela, para mim: - Gostei do parentesco. E eu me lembrei de um  poeta de renome internacional, e quem sou eu. E o disse a ela. E ela me perguntou: - Qual é o nome dele? - Ezra Pound. - eu disse. E ela olhou para mim e disse: - Esse eu não conheço, nunca li. E como estava divertido. E chegou a hora de virmos embora, ela já tinha pago a conta. E nos levantamos da mesa rindo. E viemos embora. Agora eu estou no meu quarto. E digo, eu gosto de me lembrar dos bons momentos que passo com minha irmã. E me desculpem todos, mas está tarde. E eu preciso dormir. Até amanhã. 

POETAS SEMPRE OS HÁ

 Nalgum lugar deste nosso mundo existe o paraíso. Eu sempre sonhei com isto. E vim para esta pequena cidade do interior mineiro acompanhando minha mãe e um irmão. E aqui os perdi. Hoje eles se encontram nas mãos de Deus. E eu, já cicatrizada a ferida da perda dos dois, vivo e moro aqui, quer dizer no meu paraíso. Minha mãe me deixou uma pensão por motivos de saúde, e eu vou vivendo feliz porque aqui é meu paraíso. O meu tão sonhado paraíso.  E daqui eu escrevo e publico. Hoje mesmo eu paguei o frete de envio a mim de exemplares impressos e publicados de um texto meu. E como isto me deixa feliz. E tenho um bom currículo literário, mais para um escritor bissexto. Mas as circunstâncias da minha vida não depõem contra minha biografia literária. Não, graças a Deus, não. E me perguntaram porque eu escrevo. Eu respondi: - Porque gosto. E pensei um pouco e disse: - Porque gosto e porque sei fazer. E digo: vou levando. Ao que um primo meu diz: - Chico Buarque é um cretino! Ele não é ob...

EU POUCO E AQUI

 Estava eu lá esperando que me dessem serviço. Me aparece um colega pedindo que eu escrevesse um texto para o sindicato. Eu levei o pedido dele a sério e acabado o expediente fui para a Faculdade de Filosofia onde eu era um aluno iniciante. E aquilo de escrever o tal texto em meu espírito. Hoje me vejo naquela hora. Era eu inexperiente de tudo no meu emprego. E já sei hoje: a inexperiência é a mãe da incompetência. E assim me vejo. Mas escrevi o texto, baseando-o num livro de sociologia, de modo que não ofendi a ninguém. Mas insatisfeito com a situação pedi demissão. Outro dia, andando no centro da cidade, encontro o tal colega, penso em me desviar dele. Mas nos confrontamos. E ele me diz: - Por que pediu demissão? Eu não uso de franqueza é com ninguém, não fui educado assim. Dou qualquer desculpa, como se a isso algo me obrigasse. E sigo em frente. Escrever aquele texto que ele me pediu não me prejudicou. Porque eu me desviei de perigos ao escrevê-lo. Mas contente com tal colega n...

VIVER E LEMBRAR

 Quando se faz setenta e um anos de idade, não se fica imune ao lembrar. Quer dizer, às memórias. Então é uma idade propícia ao olhar para trás e se examinar. E é o que eu faço agora. E me vejo um lutador, mas sem ter dado um soco, nem no ar. Um lutador pela minha sobrevivência. E posso dizer que sobrevivi. E sobreviver para mim é um vencer. Eu então venci a tudo o que me apareceu de contra mim. E estou agora, por este ano, festejando meu aniversário como escritor. Tenho mais de vinte anos de vida literária. Não uma vida literária que me faça distinto dos comuns dos mortais. Mas mais um escritor neste meu país que tem inumeros escritores a povoar a sua história. Se você duvida pegue uma história literária, e verá lá os nomes escolhidos pelo historiador que você acaso leia. Eu não passei a vida escrevendo e publicando com a intenção premeditada de fazer parte de um livro da nossa história literária. Mesmo porque os que escrevem este tipo de livro, selecionam muito os autores que cit...

LEMBRANDO-ME

 Não me importa ser repetitivo. Acho que já contei esta estória.´É a minha estória. E, porque a conto outra vez? Não é difícil falar. Os Beatles tinham uma canção onde cantavam: "Sing again." Coisa assim, porque o meu inglês se perdeu no tempo. Eu ouvia The Beatles lá pelos meus 11 anos de idade. E os ouvi pela última vez nos anos 1970. Fui servir como soldado na FAB nestes anos. Claro, meu pai morrera e eu tive que me virar. Mas antes de meu pai morrer ele construíra uma casa, que nos deixou. Minha mãe, nestes mesmos anos 1970, resolveu mudar-se com todos os filhos para Belo Horizonte. Servi dois anos na FAB, e logo estava com a minha mãe e meu irmãos. Hoje aqui estou me lembrando. Uma tia nos emprestou um apartamento, onde moramos, a minha família toda. Logo compramos uma casa e fomos para ela. A casa que compramos precisava de reforma. Eu tive meu primeiro emprego. Era eu um funcionário completamente despolitizado. O que quer dizer, nunca liguei para a política. Tive uma e...

DE MIM, MAIS UMA VEZ

 Estive aqui pensando na minha solidão criativa. De que vale o meu pouco nome literário, se me falta o completo perdão de Deus. Sei que sou casado e logo após divorciado, mas se eu morrer agora eu deixo uma filha. Que Deus na sua imensa misericórdia me perdoe. A infelicidade que acabo de confessar acima é a única que me atormenta. No mais sou feliz. E muito mais feliz quando estou escrevendo. Como agora. E graças aos meus poucos conhecimentos já conquistei alguma colocação no mundo do trabalho formal, através de concursos públicos. Minha última colocação foi numa Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, no curso de Filosofia que não terminei. O que me desautoriza completamente de filosofar. Porém aqui estou. Na casa vizinha a esta que minha mãe deixou estão celebrando agora o culto religioso deles. Coisa de que tem direito como diz o Artigo 5o. da Constituição Federal, a Constituição Cidadã. Eu me confesso, sou católico, batizado e crismado, e minha irmã caçula que se ocupa de me...

ESCREVER E PUBLICAR, NA MEDIDA DO POSSÍVEL

 As coisas foram estas, e cheguei até aqui. E estou sempre construindo minhas pessoa literária. E quando digo que as coisas foram estas estou dizendo que trabalhei e estudei e li muito na minha vida até aqui. E preciso ler e escrever muito mais. E sempre peço a Deus mais algum tempo de vida. Claro eu não sou auto suficiente, que possa dizer que vivo até onde eu puder. Sempre precisamos de nossos semelhantes e de nossas orações, principalmente de nossas orações a Deus. E graças a Deus eu tenho como me manter aqui. Vêm pessoas aqui para me ver e são pessoas que gostam de conversar. E isto é bom, porque quem se isola do mundo e de tudo, não pode dizer que vive. E aqui eu tenho vida. E hoje é folga da minha empregada, hoje sim, eu estou quieto em casa.  E ninguém pode dizer que não trabalho. Porque para mim escrever e ler são atividades sérias. São como o trabalho formal. Só que não ganho nada para trabalhar e nem por trabalhar. E eu faço meus trabalhos literários e os publico, na...

CULTURA DA VIDA E CULTURA DO LIVRO

Li nalgum pequeno volume que o Paideuma Poundiano não funciona mais. Acho este dito equivocado. Deve ter sido dito por algum solitário e fechado em sua torre de marfim poeta. E se foi porque Ezra Pound era esquizofrênico, pior ainda. Pois eu tenho certeza de que um esquizofrênico é bem capaz de amar. Primeiro ele ama a vida. E desde que possa garantir-se financeiramente ele pode levar a vida que quer. E é claro ele não pode dispensar a ajuda para que sua saúde seja cuidada. Falo por experiência própria. Eu que sou esquizofrênico já trabalhei e hoje aqui estou e rezo.  Dizer que a poesia de um esquizofrênico não funciona é uma posição no mínimo autoritária. É tirar dos que sofrem com a saúde mental o direito de se expressar literariamente. Não se pode confundir literatura com doença.  E tenho feito minha literatura e às vezes leio textos de Pound e dos poetas que ele recomenda. Me faz bem à alma e ao espírito. Embora eu não possa dizer que alma e espírito se confundem. Para mim...

SENTINDO

Ontem morreu um primo meu. Óbvio que a gente sente. E eu fiquei sem palavras para expressar o que eu senti. Lembrei-me de minha mãe, dizia ela: - Nossa família - a dela - está diminuindo. Para quem é sensível, ver os parentes mais próximos se irem, é doloroso. E não estou fazendo mera literatura. Faço estas postagens como quem canta como o Cartola: - Eu me encontrei - acho que é isso. Mas vamos falar de alguma coisa mais alegre? Pois é: já ouvi muita música na minha vida. E já curti muito a música de Cartola. Lembram-se daquela: - Aconteceu! - foi gravada na época da nossa abertura política. Cruz e Credo falei em política. Detesto falar de política. Já vou eu aqui falar de outra coisa. Claro que vou me antecipar a mim. Eu não tenho mágoas, nem ressentimentos, nem ódios no coração. Isso me foi perguntado por minha mãe, ao que respondi exatamente o que acabei de dizer. E minha mãe, que não era política, era enfermeira, ficou viúva entre os 38 e 39 anos de idade, disse: - Você é melhor do...

POR FALAR EM LETRAS

Hoje vou é me contrariar, pois disse a mim mesmo que não escreveria sobre a solidão. Mas começo falando que vivo só. Antes só do que mal acompanhado. E sou feliz comigo. Uma das coisas que adoro é ler. Leio muito e, às vezes releio algum livro meu. Estou esperando que me chegue A FELICIDADE É FÁCIL, livro q ue só pelo título me atraiu muito. E espero este livro acima citado porque sou feliz. Se querem saber é por causa da solidão que sou feliz. Converso com as poucas pessoas que aqui vêm. E está ótimo. Quando escrevo ou pronuncio a palavra solidão me lembro de quanto esta palavra já foi explorada pelos escritores e compositores de música popular. Mas o importante para mim, é que sou um solitário. Por convicção. Aquele negócio dos caras de letras que lêem muito e lêem Hermam Hesse, principalmente o Lobo da Estepe nunca dá certo. Eu falo por experiência, porque ganhei um livro com este título, e o livro é uma porcaria. E para terem uma idéia do que gosto, leio muito é Literatura Brasilei...

OUTRO POUCO DO CAMINHO

 Eu venho aqui e escrevo. A minha empregada, Zózima, me perguntou: - Por que você escreve? Eu não pensei para respondê-la: - Porque gosto. - E esses livros que você recebe pelos Correios? - Alguns minha irmã compra para mim. - E os outros? - Os outros são livros de que participo de alguma maneira. - É onde você escreve? - Sim. Com um texto para cada um. Mas na verdade queria falar da Igreja Católica. Não como padre, não chego a tanto. Que não sou padre.  Mas fui batizado e crismado, e me afastei da Igreja durante algum tempo. Depois voltei. E gosto de rezar a missa como um pecador que sou. E, inclusive, bato no peito na hora do Ato Penitencial. E assim eu vivo. E a Zózima é Testemunha de Jeová. Podem vocês duvidar, eu a observo diariamente desde há catorze anos. Já fazem praticamente catorze anos que ela está comigo. E a admiro pela modéstia. E porque vim para o interior? Eu poderia me calar quanto a isto. Mas os grandes centros se poluem e se a gente não tomar cuidado a gente...

OS PECADOS DO ESCRIBA

Tirar da minha consciência o sentimento de culpa cultivado por muito tempo não foi fácil. Mas estive conversando com um padre, e ele me disse: - Você está solterinho. Ao que uma Testemunha de Jeová me disse também: - Padre bonzinho. E a Testemunha de Jeová foi a mesma pessoa que me disse: - Nós não te julgamos. Tudo isso me fez sentir mais leve. É que a minha união com uma mulher com quem vivi e que deu num casamento só no civil resultou numa criança, que hoje é adulta. Quanto a isso não sei se sou realmente culpado. Depois disso veio um longo noivado com outra mulher. Já disse aqui que sou um pecador e que me penitencio a cada missa que rezo. As duas mulheres me perdoaram, o que me ajuda muito. Quando rezo estou deveras arrependido dos pecados da carne. E estive lendo ali na minha mesa de trabalho um texto sobre confissão. Dizia o autor que para uma confissão o pecador deve estar realmente arrependido. O que estou. Seria vergonhoso se eu estivesse mentindo, mas não estou. E nem me rio...

UM LIVRO E O MEU INTERESSE POR ELE

Hoje eu acordei e me vi angustiado. Não sei porque. Rezei e rezei também a missa e melhorei. Tanto melhorei que aqui estou escrevendo. Quando escrevo eu não me sinto angustiado. E sabem por que? Simplesmente porque já fiz a minha ablação espiritual. Chamo-a assim, de ablação espiritual porque é como se eu fizesse a limpeza do que me vai na alma. E agora vamos falar do que realmente pensei. Pensei que sou um pecador, e não foi por isso que me angustiei. Sou mesmo um pecador, e não porque o padre ao rezar a missa nos diga no ato penitencial que somos todos pecadores. Por isso também, mas ao me dizer ali um pecador eu me reconheço mesmo um pecador, sem que isso me faça mal. Mas contudo ao acabar a missa eu me sinto limpo espiritualmente. E Deus me proteja pelo resto do dia. Já acordado tomei meu café da manhã, comi um pão e uma banana. Como faço sempre e agora me sinto alimentado. Estou vivendo o meu fim de semana. E neste fim de semana eu vou ler o livro que eu estava lendo ontem e que t...

A MINHA VIDA É EXCELENTE

Trabalhei alguns anos num biblioteca técnica. E quando veio uma das crises que de vez em quando o meu  país passa, pedi demissão. É que o banco era estatal, e a administração dele muda conforme o governo. Mas eu já tinha minha biblioteca pessoal. E a maior parte dos meus livros é ainda hoje de livros de ficção. Eu desde menino leio muito. E destas leituras ganho material eu nunca tive. Tanto que ouvi de uma colega de trabalho: - Seus livros são cultura inútil. Tolice dela era pensar assim. Hoje vivendo a plenitude de meu amadurecimento me vejo na casa de meus pais falecidos. Tutelado por minha irmã caçula, a que minha mãe considerava a mais realista de nós os sete filhos. E eu impossibilitado de trabalhar me regozijo trabalhando. Digo trabalhando por que considero escrever trabalhar. Claro que é mais fácil escrever do que ir todos os dias ao local de trabalho formal. Por isso os que ganham a vida no trabalho formal, nutrem um certo preconceito com os literatos. Mas não são todos os...

UM POUCO DE MIM

 Estava eu relendo uma postagem que escrevi aqui. E me vi vaidoso, como sempre. Mas se tenho motivo para tanto eu não sei. Talvez minha vaidade seja a de um escriba que enfim está escrevendo. É, porque custei muito a me decidir a escrever. E olhando para mim, era o que me restava fazer, escrever. E parabéns para mim. Tive uma tia que gostava muito de mim. E ela me deu livros e me falou: - Escreva. Então eu quero agora dedicar estas postagens todas que anoto aqui a ela. Eu, confesso, fui orientado na minha vida inteira por ela e por minha mãe. Pois perdi meu pai muito cedo, e me meti com a minha própria vida, no afã de ganhar meu pão de cada dia. E hoje aqui estou, com uma vida excelente, como me diz a minha empregada, D. Zózima. E posso falar que todas as pessoas que passaram pela minha vida foram pessoas muito boas de coração. Não tenho motivos para falar mal de ninguém. E não pensem os leitores que eu sou o homem que mais acertos cometeu na vida. Cometi meus erros, e quanto a iss...