OS PECADOS DO ESCRIBA
Tirar da minha consciência o sentimento de culpa cultivado por muito tempo não foi fácil. Mas estive conversando com um padre, e ele me disse:
- Você está solterinho.
Ao que uma Testemunha de Jeová me disse também:
- Padre bonzinho.
E a Testemunha de Jeová foi a mesma pessoa que me disse:
- Nós não te julgamos.
Tudo isso me fez sentir mais leve. É que a minha união com uma mulher com quem vivi e que deu num casamento só no civil resultou numa criança, que hoje é adulta. Quanto a isso não sei se sou realmente culpado. Depois disso veio um longo noivado com outra mulher. Já disse aqui que sou um pecador e que me penitencio a cada missa que rezo. As duas mulheres me perdoaram, o que me ajuda muito.
Quando rezo estou deveras arrependido dos pecados da carne. E estive lendo ali na minha mesa de trabalho um texto sobre confissão. Dizia o autor que para uma confissão o pecador deve estar realmente arrependido. O que estou. Seria vergonhoso se eu estivesse mentindo, mas não estou. E nem me rio ao menos desses meus pecados carnais com uma mulher e depois com outra. Sei que não vivo uma Idade Média ou coisa parecida, mas isso não me ajudou de maneira nenhuma a vir aqui e me confessar de maneira tão pública. Era mais de me envergonhar perante os leitores. Mas peço ao menos que me compreendam.
Não faz parte das minhas intenções levar as duas mulheres também ao arrependimento. De maneira nenhuma. Hoje principalmente em que as consciências andam tão livres, com cada qual levando a vida que quer. A vida que quer eu digo se orentando como podem. E nisso brilham as pessoas que se orientam pela sua religião. Eu sei é de mim, católico. Passo a maior parte da minha vida fechado em casa. Isto que estou dizendo aqui eu não vivo dizendo às pessoas. As pessoas com quem convivo ouvem de mim conversas que se distribuem em diálogos que nós mantemos. É só a maneira de conviver que encontramos e com que me dou bem. E minha convivência aqui é com pessoas bem simples que me julgam também uma alma simples. O que me faz agradecer a elas muitíssimo. E elas conheceram minha mãe que faleceu já vai fazer seis anos. E não há como complicar a minha pessoa, que nunca foi complicada.
Antes de vir para aqui eu trabalhava num banco, de onde me demiti. Vaguei por alguns empregos mais até ficar em casa. Lá em Belo Horizonte, onde minha mãe me perguntou:
- Quer ir para o interior comigo?
Eu não hesitei:
- Quero.
E aqui estou. E nos empregos que tive eu pecava pela simplicidade. E aqui estou. E me sinto vitorioso. Na capital não pensem que é mais fácil eu me tornar escritor. E eu pensava que aqui eu não seria escriba. Mas as portas se abriram para mim, e hoje sou três vezes ACADÊMICO DE LETRAS para onde remeto exemplares de Antologias e Coletâneas de que participo. E também participo da ACADEMIA DE CONTOS aqui na INTERNET. E como escritor do interior já sou muitas vezes premiado. Alguém me disse que tenho então o ego satisfeito por isso, de certa forma tenho.
E que Deus me abençoe. E que Deus nos abençoe.
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