TRANSEUNTE
Eu andava muito pelas ruas de Belo Horizonte. Era eu um office-boy. Nos sábados e nas horas vagas dos dias de semana eu comprava livros nas livrarias. Livrarias de Belo Horizonte. Era um tempo bom, sem dúvida. Os mais informadinhos que tinham possibilidade de ler coisas que lhes dissessem que havia censura no país, nos passavam este medo. Eu não havia ainda tomado consciência do fato. E era admitido no Colégio Municipal Marconi, de Belo Horizonte. Lá conheci um vice-diretor do colégio que me autorizou a colocar em circulação um jornalzinho mimeografado. Intitulei o jornalzinho de Transeute. Só Transeunte, e mais nada. O título me veio à mente num dia em que fui entregar uma matéria da empresa em que trabalhava num curtume no subúrbio. E o título pegou. Digo pegou porque o jornalzinho tinha vindo à luz no colégio com a ajuda de mais três colegas meus. E como vibramos os quatro colegas com a nossa obra. E qual era a nossa obra? Claro, o jornalzinho TRANSEUNTE. Nome que não esqueço.
E o TRANSEUNTE? Não passou de um número. Não interessou a ninguém o jornalzinho que trazia contos e poesias. Éramos artistas? Sei lá, tentamos.
Hoje sou poeta, contista e cronista. Modesto, mas sou, graças a Deus. E aqui, primeiro com o auxílio de minha mãe, fui me reconstruindo. E ela faleceu, já vão fazer seis anos. Eu envelheci, claro, o tempo passa. De minha irmã caçula ganhei as providências que ela tomou para que enfim eu tivesse uma sepultura. Me reconverti ao catolicismo quando ainda na capital, e tenho rezado muito. Normalmente rezo meu terço e minha missa pela manhã, hoje porém não pude fazê-lo. Via e ouvia uma entrevista do jornalista Fábio Cardoso, meu confrade da Academia de Letras e Artes da Zona Oeste do Rio de Janeiro, ele é de lá, a entrevista me chegou via watsapp, celular. Ele é um jornalista da nova geração, bem humorado, criativo e culto.
Eu escrevi esta postagem com imenso prazer. Até hoje eu não sei dos meus leitores, que eles porém possam ler com o mesmo imenso prazer.
E que Deus me abençoe. E que Deus nos abençoe.
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