VIVER E LEMBRAR

 Quando se faz setenta e um anos de idade, não se fica imune ao lembrar. Quer dizer, às memórias. Então é uma idade propícia ao olhar para trás e se examinar. E é o que eu faço agora. E me vejo um lutador, mas sem ter dado um soco, nem no ar. Um lutador pela minha sobrevivência. E posso dizer que sobrevivi. E sobreviver para mim é um vencer. Eu então venci a tudo o que me apareceu de contra mim. E estou agora, por este ano, festejando meu aniversário como escritor. Tenho mais de vinte anos de vida literária. Não uma vida literária que me faça distinto dos comuns dos mortais. Mas mais um escritor neste meu país que tem inumeros escritores a povoar a sua história. Se você duvida pegue uma história literária, e verá lá os nomes escolhidos pelo historiador que você acaso leia.

Eu não passei a vida escrevendo e publicando com a intenção premeditada de fazer parte de um livro da nossa história literária. Mesmo porque os que escrevem este tipo de livro, selecionam muito os autores que citam. Eu escrevi para o deleite de algum leitor ocasional. E gosto tanto de escrever e publicar que vou te contar. Contar o que? Nada. Porque é uma vida monótona, bem ao meu molde. E hoje aqui contando isto eu estou escrevendo e passando o tempo que um dia me foi precioso. Porque já trabalhei, já tive de chegar na hora certa no trabalho, de chegar na hora da aula começar na Faculdade, de não faltar com a namorada. E hoje eu sou um homem feliz. Escrevia há pouco a uns amigos que a gente tem tempo de tudo, até de curtir o tempo feliz. 

E como é bom viver. Mesmo que muitas vezes tenhamos que tenhamos de enfrentar uma ou outra dificuldade. É a vida. E não me chamem de vivido. Vivido é um apelido que a gente dá a um indivíduo que não se preocupa em fazer a sua vida. Ou a um homem que não teve chance de se fazer na vida. E que portanto se torna digno de nossa misericórdia e caridade.

Mas, venhamos e convenhamos, num país como o nosso, se nossos pais não nos ajudam, as possibilidades da vida se abrem para os de boa vontade, ou seja para os esforçados. Ou mesmo uma mão amiga aparece. Tudo isto eu tive e vi durante a minha vida. Eu não tive pai vivo no período depois de minha vida militar. Então tive a mão amiga de minha mãe. Ela, porém, tinha que trabalhar, em nossa casa a esperavam mais seis bocas e seis corpos a se vestir. Portanto minha mãe mereceu o reconhecimento que teve. Guerreira, foi como a chamaram a vida inteira, desde que ficou viúva.

E que Deus nos abençoe. E que Deus me abençoe.

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