OUTRO POUCO DO CAMINHO

 Eu venho aqui e escrevo. A minha empregada, Zózima, me perguntou:

- Por que você escreve?

Eu não pensei para respondê-la:

- Porque gosto.

- E esses livros que você recebe pelos Correios?

- Alguns minha irmã compra para mim.

- E os outros?

- Os outros são livros de que participo de alguma maneira.

- É onde você escreve?

- Sim. Com um texto para cada um.

Mas na verdade queria falar da Igreja Católica. Não como padre, não chego a tanto. Que não sou padre.  Mas fui batizado e crismado, e me afastei da Igreja durante algum tempo. Depois voltei. E gosto de rezar a missa como um pecador que sou. E, inclusive, bato no peito na hora do Ato Penitencial. E assim eu vivo.

E a Zózima é Testemunha de Jeová. Podem vocês duvidar, eu a observo diariamente desde há catorze anos. Já fazem praticamente catorze anos que ela está comigo. E a admiro pela modéstia.

E porque vim para o interior? Eu poderia me calar quanto a isto. Mas os grandes centros se poluem e se a gente não tomar cuidado a gente também sai poluido de lá. Eu costumo dizer aqui dentro de casa, brincando, que lá é O Grande Horror.

Mas que Deus me perdoe. 

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