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O MEDO DE DAR CONFUSÃO

Recentemente eu tive que escrever um trabalho sobre uma intelectual brasileira. Estudei um tanto a vida dela, e constatei que ela o que fazia era só bem a nós, brasileiros. Claro que compreender o alcance das palavras dela, eu teria que ler muito mais do que li. Mas me abstive disso porque me pediram que eu entregasse logo o meu trabalho. E foi o que fiz. O nome da intelectual é LÉLIA COELHO FROTA. Assim mesmo, todo em maiúscula, e de verdade intelectual. Ela estudou muito e nas fontes que consultei, diversos eram os diplomas dela. E nós, inclusive eu, eu me confesso, estamos todos prestes a nos esquecermos de Lélia de novo. Não devemos fazer isto. Porque ela revelou muitos artistas do povo que nos servem de exemplos se queremos ser artistas. Mas, eu espero, aqui curtindo um tanto a minha vaidade, que o trabalho que fiz, seja publicado. Nem tanto por mim, mas mais pelos artistas do povo. E me confesso de novo: eu sou neto de um homem do povo. Meu avô paterno catava ouro nas minas de No...

CORPO

Um dia o poeta acordou e escreveu um título: CORPO. Deixou a idéia amadurecer e foi compondo um livro de poesias devagar. Nesta hora em que me falta a poesia, eu peguei o livro que ele escreveu e me senti acompanhado. O que estou querendo dizer com isso é que o livro CORPO tinha deveras poesia. Mas nem de longe eu pensei no meu corpo. O meu corpo eu preservo em nome da saúde, da minha saúde. E o que eu lia era poesia sob o título CORPO. Entendem o que estou dizendo? Pois é. A cultura de um povo não se faz só dos famosos. Os famosos, nem todos, fazem muita coisa para aparecer. E o poeta de CORPO, tem hoje seu livro esquecido. Muitos outros livros surgiram nas livrarias, livros que as pessoas esqueceram sem ao menos pegar e folhear. E dizem por aí que quem escreve hoje tem em mira só o ficar famoso. Ora, bolas. Assim a educação de nossos moços e moças aonde fica? Educação que eu digo é o saber se dirigir pela vida, sem inventar absurdos. E tenho dito. E que Deus nos abençoe. 

DIA APÓS DIA

 Há algum tempo me disseram para viver um dia após o outro. E é o que eu faço. Só que hoje o faço cada vez mais conscientemente. E quiseram me fazer acompanhar por alguém. Eu não discuti, eu não briguei, só disse que já aproveitava meus dias praticando o que chamei de solidão criativa. E me chegou pelos Correios alguns exemplares de um livro chamado MEMÓRIAS AFETIVAS onde havia um conto meu intitulado O CONTISTA. Eu sempre recebo os meus exemplares. Faz parte do trato que tenho com a editora. A diferença é que para o O CONTISTA veio o elogio: - Que conto bem escrito! Eu li e reli então o conto. E foi como se eu descobrisse que realmente o conto estava bem escrito. Eu já havia recebido para outros escritos meus o parabéns, porque leitores acharam que eu escrevia bem. Claro, só de lembrar eu me envaideço. E me lembro de um dito de Machado de Assis de que o escrever é A VAIDADE DAS VAIDADES. Não me comparo ao mestre dos mestres. Claro que não. Mas chega de me confessar de que me envai...

DÚVIDA E CETICISMO

 Aqui estou eu, escrevendo aqui quase sempre, é que participo. Cabe ao leitor dizer se mereço. Mas, que foi difícil, foi. Quem me vê hoje, pensa errado de mim. Isso porque já tivemos em nossas vidas, eu e minha família, altos e baixos. Não há mistério na nossa vida. Cada momento triste era superado com muita fé em Deus, e com muito trabalho para ganhar algum dinheiro. Ninguém fez riqueza aqui em casa. Mas conquistamos uma situação financeira estável. Eu acabei comprando este computador pessoal que ora me serve. E vou uma palavra sobre um assunto que me inquieta: mas sou de opinião que nunca a máquina vai dominar o homem. Por aí já podem ver que não cético. Não estou aqui agora tentando falar difícil. È que a palavra cético é a que me serve. Consulte-se o dicionário, se preciso. Não tenha preguiça. Li muitos autores preguiçosos, e é aí que digo: autores preguiçosos não produziram muito. A minha situação não é de um preguiçoso em busca do tempo perdido, não. Aliás, como o Proust, aqu...

SER FELIZ

Ser feliz é um estar no mundo onde a gente se sente bem. Eu sempre digo ao final do dia: eu sou um homem feliz. E venho aqui e registro várias passagens minhas no mundo. Claro, algumas variações de mim existem em mim mesmo. Mas nenhuma perturbadora a ponto de me  preocupar demais. E vou dizer sem querer ensinar. Porque ninguém me ensinou a ser feliz. Não se ensina a ser feliz. É-se feliz como um navio que navega conforme os ventos. E eu não procuro mares agitados para navegar. No passado talvez eu o fizesse.  Agora, mudando de assunto, eu conquistei este estado de ser, convivendo com pessoas que acreditam em  Deus. O essencial é isto, acreditar em Deus. E hoje mesmo eu prestei tributo desta minha fé. Não é que seja chic, ontem eu me importei com isso. Hoje busco a simplicidade e procuro saber de mim, se sou humilde sem deixar de me defender. E não preciso tanto me defender. Vim para o interior de Minas, e imediatamente me reconheci com um homem do interior. E no interior ...

ESCREVENDO SOBRE O ESCREVER

  Os escritores deviam dizer que começaram  pobres. Mas, hoje isso já não é preciso. De vez em quando aparece no panorama literário escritores que moram em comunidades. Comunidades eu grafo, porque me disseram que as favelas agora se chamam comunidades. A mim parece que as comunidades soa melhor como nome. E é para diminuir qualquer prevenção contra os pobres que lá moram. Se for assim, é porque as coisas melhoraram. Vi eu estudos universitários sobre estes escritores pobres de que falo. Empatia ou preocupação boa com nossos problemas. Chamo problema mas não de maneira pejorativa. Há pouco conversando eu falei de direitos humanos. E quando vejo um escritor pobre em realce, eu vibro. Ele não é problema, de jeito nenhum. Ele usa os recursos que tem para escrever, sem a obrigação de fazer sucesso. E eu digo isto, apoiado em minha experiência de autor. Eu escrevo e publico, se o número de leitores cresce ou aumenta, é lucro alheio. Antes as editoras davam os 10% dos direitos autor...

SENTIMENTO MEU E O DOS OUTROS

Sou um escritor que não ambiciona dinheiro. E para os que queiram saber: sou classe média. Venho aqui registrar minhas postagens quase como um desabafo. Desabafo mas de nenhuma mágoa, de nenhum ressentimento. Um desabafo diferente. Vou me esclarecer. A gente desabafa quando tem um sentimento bom ou ruim guardado durante muito tempo no peito. Eu desabafo no sentido de satisfazer uma pessoa que já faleceu. E esta pessoa morta era uma tia que me gostava muito. Ela dizia: - Ponha tudo para fora. Mas eu sempre tive o sentimento de que primeiro o dever cumprido. Me meti nalgumas aventuras que eu nunca previra para mim. De modo que não sou um aventureiro. O caso é que mudei de emprego seis vezes. E refleti: "O que você busca, Aristides?" E respondi: "Sossego." E alguém me perguntou: - Sossego para que? Eu digo aqui nesta postagem: sossego para escrever com a força da sinceridade. Para que tenham a idéia correta do que digo: este ano de 2024 fiz vinte anos de atividades lit...