ESCREVENDO SOBRE O ESCREVER
Os escritores deviam dizer que começaram pobres. Mas, hoje isso já não é preciso. De vez em quando aparece no panorama literário escritores que moram em comunidades. Comunidades eu grafo, porque me disseram que as favelas agora se chamam comunidades. A mim parece que as comunidades soa melhor como nome. E é para diminuir qualquer prevenção contra os pobres que lá moram. Se for assim, é porque as coisas melhoraram. Vi eu estudos universitários sobre estes escritores pobres de que falo. Empatia ou preocupação boa com nossos problemas. Chamo problema mas não de maneira pejorativa. Há pouco conversando eu falei de direitos humanos. E quando vejo um escritor pobre em realce, eu vibro. Ele não é problema, de jeito nenhum. Ele usa os recursos que tem para escrever, sem a obrigação de fazer sucesso. E eu digo isto, apoiado em minha experiência de autor. Eu escrevo e publico, se o número de leitores cresce ou aumenta, é lucro alheio. Antes as editoras davam os 10% dos direitos autorais. Hoje pagamos para publicar. Não quero brigar com ninguém. Então vamos em frente.
Um cidadão escolhe ser escritor. O que ele deve fazer? Na minha opinião, ele deve procurar saber até onde vai. Porque o mundo das necessidades das pessoas na maioria das vezes encurta o dinheiro delas. Eu não faço propaganda do que escrevo. Falha minha, dirão. Eu não me defendo disto. O meu argumento é que no mundo dos livros é como no mundo da vida. Cada qual sabe de si, e com muita responsabilidade. Então não devemos seguir ironizando ou ofendendo alguém. Um texto deve sempre construir. O autor deve procurar ser simpático.
Mas não escondo: um pouco de vaidade de ser autor eu tenho, não faz mal a ninguém. E quem é que tem vaidade de um mal feito?
Escrever é só escrever. E escritores que antes badalavam nas boates de gente rica, também escreveram livros válidos. E que estão aí nas livrarias e nas bibliotecas. Se um autor não tem distribuidora, ele mesmo pode pegar na internet o endereço das bibliotecas e doar o que publica. Porque o lugar do livro é na estante, pessoal ou comunitária. E tenho dito.
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