DIA APÓS DIA
Há algum tempo me disseram para viver um dia após o outro. E é o que eu faço. Só que hoje o faço cada vez mais conscientemente. E quiseram me fazer acompanhar por alguém. Eu não discuti, eu não briguei, só disse que já aproveitava meus dias praticando o que chamei de solidão criativa. E me chegou pelos Correios alguns exemplares de um livro chamado MEMÓRIAS AFETIVAS onde havia um conto meu intitulado O CONTISTA. Eu sempre recebo os meus exemplares. Faz parte do trato que tenho com a editora. A diferença é que para o O CONTISTA veio o elogio:
- Que conto bem escrito!
Eu li e reli então o conto. E foi como se eu descobrisse que realmente o conto estava bem escrito. Eu já havia recebido para outros escritos meus o parabéns, porque leitores acharam que eu escrevia bem. Claro, só de lembrar eu me envaideço. E me lembro de um dito de Machado de Assis de que o escrever é A VAIDADE DAS VAIDADES. Não me comparo ao mestre dos mestres. Claro que não. Mas chega de me confessar de que me envaideço. Eu só queria partilhar com alguém o elogio. E se acaso eu tiver leitor para esta postagem, o leitor, não sei...
E intitulei esta postagem, de DIA APÓS DIA. Mas vou dizer o que me vai. Vivo solitariamente. E isso merece dois comentários. Este resto de ano eu me coloco em férias literárias. Então me lembro de que perdi minha mãe. E nos funerais dela, alguém disse que eu ia sentir falta dela. Eu me refiro a isso do seguinte modo. Falta a gente sente de quem nos serve, porque os serviços têm de ser feitos. De minha mãe eu sinto é saudade. E quem me presta serviços, ouvindo de mim a palavra saudade, me disse:
- Saudade, o amor que fica.
E não é mesmo? Além de fazer as coisas que eu não sei fazer, esta pessoa que me serve, é uma insubstituível companhia. Já lá vão quase cinco anos que minha mãe partiu. E mãe ninguém substitui. E só estou registrando isso porque passou o dia do idoso. E minha mãe me deixou aos 91 anos de idade. E tenho dito. E que Deus ouço meus lamentos e oro a Ele por nós.
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