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MEU PAI E MINHA MÃE

 Venho aqui tecendo pensamentos e atitudes que tomei durante a vida. Vão elas todas cheias de sentimentos, meus sentimentos. Que sinto-os à medida que vivo e os penso. Vão elas então como meditações de um solitário. Embora eu deteste falar em solidão. Simplesmente porque eu considero os livros e os impressos que me caem em mãos meus amigos. Amigos que me falam em silêncio e sobre os quais me é permitido responder lá no íntimo do meu coração. Estas respostas, as que dou aos impressos e livros que leio são palavras que eu registro em alguma forma. Alguns textos meus, em forma de ficção e poesia, são aceitos para publicação. Os que me ficam em mãos nem sempre eu os guardo nem comigo. Os que mais tem me tocado ultimamente são os que dizem respeito ao meu arrependimento e às minhas conversões que costumam ser contumazes. Meus arrependimentos de que? Perguntará o leitor ocasional. Arrependimento de uma vida mundana afastado de Deus. A Igreja, quando eu fui até ela para rezar uma missa, m...

NOTAS

A aqui estou eu, feliz, faço por estes tempos pouco mais de vinte anos de vida literária. E isto tem um significado imenso na minha vida. E por falar na minha vida com as palavras, sexta-feira última agora aprendi mais uma palavra. Estava lá D.Zózima, trabalhando na cozinha e eu passei. E ela interrompeu minha caminhada para dizer: - Fui ao Clemelsion e vi o Evaristo dos Correios. E ele estava chateado. E eu disse a ele: ficou magoído!? É que o time de futebol do Evaristo tinha perdido. Eu não perdi esta, me ri todo. E ela se deu por satisfeita. E vim para o meu quarto. Onde estava quieto quando o filho de D.Zózima chegou na porta para se despedir: - Quando quiser apareça. - eu disse a ele. Ao que ele respondeu imediatamente: - Estamos juntos. Eu digo aqui agora, estes dias tem sido felizes para mim em todos os sentidos. Cheguei do médico na mesma sexta-feira, e comentei com a D.Zózima: - Élcio (o motorista) estava meio macabúzio. E ela: -  Talvez esteja com algum probleminha. Real...

SEGUINDO O CAMINHO

 O dia começa e eu estou aqui escrevendo. Sempre quis ser escritor, desde menino, mas meu pai faleceu e eu tive de ganhar o meu pão de cada dia. Meu pai não era um homem sem previdência. Ele mandou construir uma casa, e nos aconselhou aos filhos: - Trabalhem e estudem. E nos deu o seu exemplo vivendo: ele mesmo trabalhou muito e também estudou. Claro, quem tem agradar a muita gente tem que ser artista. Um escritor é um artista na medida em que escreve bem. Se a sua obra literária vai ser um clássico, isso depende do esforço dele enquanto escritor. Mas olhemos os nossos escritores de antanho, são tão vários quanto é vária nossa humanidade. A humanidade brasileira tem a ver com o dito de um professor de filosofia meu. Ele disse: - O Brasil é mil. E o Brasil é mil mesmo. Vai do Chui ao Oiapoque. E em todos os seus estados existem escritores. Portanto, a humanidade brasileira é mil. Eu aqui, amei e desamei, como disse o poeta. E faz pouco mais de vinte anos que estreei nas letras. E co...

RECOLHO-ME EM ORAÇÕES

Por falar em dar, dizem que em nossa terra se plantando tudo dá. E eu espero o noticiário de segunda-feira. Claro, um pouco ansioso, que se dê um jeitinho e abra-se o canal de diálogo Brasil-EUA. Sem que se atrapalhe nada de nossos assuntos só nacionais. Claro que um cidadão de classe média quer o melhor para o Brasil. Não deviam os estrangeiros ir tão fundo quanto foram ao não compreender o nosso presidente. Mas isso, quem sou eu para dar palpite? Como recomendou o Papa Francisco, quem tem fé, reze pela paz. Estive lendo hoje um artigo sobre a esperança. E todos nós católicos devemos ter sempre esperança. E o Papa de agora é de nascimento norte-americano. E chegou a bispo no Peru, na América Latina. Eu não vou ousar em dizer que em nome dele oro. Mas eu oro a Deus, pedindo, que tudo se arranje e nós os brasileiros sosseguemos.  Sosseguemos no sentido de não ter preocupação. E que tipo de preocupação podemos estar tendo? Basta olhar na telinha da TV e ver as guerras. E quem quer ma...

POR FALAR EM NOVO

Às vezes eu paro e penso: me parece que tudo já foi dito. Mas continuo pensando: nem tudo foi dito. E está para existir aquela pessoas que pode dizer que já leu tudo. E se nem tudo foi dito, muito pode ser dito ainda. Claro, e li isso num livro lá pelos anos 1980. Estava lá, naquela época: eis um novo tempo. E me voltei para novas leituras. E de fato aquele que se abria para mim era um novo tempo. E me renovei. Não na minha idade cronológica, mas nas minhas ideias. E não as vivi, pensava nelas somente, nas novas idéias do novos literatos. E como eu lia desde menino, aquelas novas ideias não me perturbaram o espírito. Antes pelo contrário, vi que pessoas da minha idade tinha ido longe. E eu ficara quieto no meu canto, frequentando um faculdade de Filosofia. E aqui estou lhes contando como eu vivia. Agora que tudo já passou. Antes de aqui vir e escrever isto, eu estava pensando comigo, o que escrever hoje? E não estou mais pensando em ter pronta na mente a idéia a desenvolver. Estou escr...

AINDA SOLTEIRO

 E hoje, depois de nunca mais me casar, estou aqui entrando em férias literárias. Prometi a mim mesmo, que só escrevo ano que vem e se eu estiver vivo até lá. Não estou correndo perigo, não, nenhum. É que eu sei que para morrer basta estar vivo. E não adianta dizermos que não temos medo algum. Mas eu vi minha mãe morrer. E olha que ela já tinha noventa e um anos de idade. E estava de verdade adoentada. Quem mais cuidou dela nesta hora foram meus irmãos mais novos. E está próximo o aniversário de seis anos da morte dela. Ao chegar do enterro dela, que ocorreu em minha terra natal, eu disse à minha irmã caçula, que é quem me trouxe de lá até aqui: - Eu a adorava. Não tive nem gosto de me corrigir. O certo seria eu dizer: - Eu a amava muito. E era para mim que ela cantava a canção do filho pródigo. Que era uma canção que o Padre Fábio de Melo quem cantava, salvo engano meu. Eu trabalhei a vida inteira em outras cidades do interior do Brasil. E não fiquei rico, donde eu tiro a conclusã...

SOBRE O AMOR

 Falei de amor de um homem e uma mulher. Mas, muito antes eu me disse desiludido do amor. E é essa uma verdade minha.  Mas não é que eu culpe as mulheres. De maneira alguma eu faço isso. È que depois de divorciado eu tive uma namorada. A quem julguei amar.  Mas amar para mim tem um sentido mais fundo do que o simples "amor" a algum fazer ou objeto. Essas superficialidades eu as coloco como uma maneira de moda. Eu digo a mim mesmo: - Ao invés do simples: "Gostei!", dizem hoje "Amei!" Para mim, e não quero ser profundo, o amor inclui sentimento. E não esta superficialidade da atração física. Eu sou do tempo de "Quem ama o feio, bonito lhe parece." Não sei se me expresso bem. Ou melhor, se me faço entender.  É que estou vivendo uma época de desconstrução de EROS. Talvez esta época seja de definição de muitas coisas. Inclusive do amor. E eu já tenho meus setenta e um anos de idade. Em mim já não cabe dizer: "Desejo fulana fisicamente." Este...