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FAZER A VIDA, DEPOIS ESCREVER

Primeiro fiz minha vida. Não sem sofrimento. Quando alguém me ouve dizer isto, pensa logo que é choro meu. Mas aos trancos e barrancos e com a ajuda dos meus aqui estou. E agora estou escrevendo. Realmente eu tinha em mim a escrita. Pretendia que ela fosse literária. Mas, agora, aqui, eu não sei se posso chamá-la literária. Mas chamo-a de literária. Pois uma vez um professor de Letras ao me ler me disse que eu era novo nas letras. Agradeci e não desisti, continuo escrevendo. Hoje eu me lembrei de uma coisa. Um dia eu contei a uma mulher do povo que deviam oferecer a ela, mil rosas. E ela me disse: - E essas mil rosas sairiam machucadas. E isso é simples de entender. Geralmente se dá rosas à namorada. Mil rosas a ela, ela que já sofrera tanto... Eu fui cumprimentado por um oficial da FAB, eu que servi lá e saí quando era aluno. Me emocionei com ele. Gentil e educado ele foi para comigo. E também me lembrei que a Lei da Anistia já me favorecera, através de meu pai. Hoje sou um pensionist...

À MINHA MÃE

 - Quer ir para Moeda comigo? - me perguntou minha mãe, há anos atrás. Eu respondi que não. E aqui estou. E dou graças a Deus por aqui estar. O não que eu pronunciei é e foi a última rebeldia minha. Rebeldia de que não me arrependo porque no final de contas eu vim, com ela. E aqui estou. E tudo o que sou devo à minha mãe. Escrever sobre minha mãe é resgatar um título de dívida devida a ela. E espero que me compreendam. Às vezes respondemos errado e mal a quem mais amamos. E nossa consciência se detém e nos corrige. Por isso, aqui estou. E dedico estas poucas linhas a minha mãe. E tenho dito.

MEUS PECADOS

 Nesta cidade de Moeda, onde moro atualmente, o inverno costuma ser rigoroso. Este ano fez frio, e faz ainda, mas mais levemente. Deu pra suportar o frio aqui desta vez. E hoje logo cedo eu estive pensando em minha mãe. Ela faleceu há quase cinco anos atrás. Em mim deixou uma forte impressão. Claro, ela era uma mulher muito forte e trabalhadora. Suportou a morte de meu pai, e consequente ausência, com muita garra. Claro ela não era perfeita, mas e eu sou? Rezei por ela, seja lá onde ela estiver agora. Deus a queira e a proteja. Porque ela era muito católica. E tinha muita fé em Deus.  Foi ela que me perguntou um dia: - Quer ir para Moeda comigo? Eu não disse não. E aqui estou. Lembrar-me dela é e sempre foi uma obrigação de filho que tive. A vida inteira. Sei que o corpo dela deve ser pó. "Do pó vieste ao pó retornarás." E isso vale para todos nós. Mas não sejamos tão fúnebres. Leiamos mais então no livro da vida. E digamos que mais vale uma bela existência aqui na Terra,...

AS LETRAS MINEIRAS

 Quando eu comecei a escrever, eu estava me divorciando. Havia um anseio de que eu escrevesse sobre o meu divórcio. Coisa difícil para mim, porque envolve ainda hoje muita coisa. A minha própria estória e a estória de outras pessoas. Então coloquei na minha cabeça que precisava ler mais. E é o que venho fazendo. Mas voltemos ao início, quando eu comecei a escrever, embora possa não parecer, eu já tinha lido bastante. Passei noites lendo. Até que ganhei um prêmio. O prêmio me foi importante, me estimulou a continuar. Mas me vi na situação de fazer um jejum de escrita. Tudo o que eu havia escrito até então estava comigo nas minhas gavetas. Aqui eu digo que muita coisa morre nas gavetas de muitos escritores. Não porque eles assim queiram de propósito. Mas por força de circunstâncias. E volto ao meu divórcio. Eu afirmo que quando eu me casei foi porque houve muito sentimento positivo. Entre eu e ela estava tudo certo. Mas, eu não aguentei as pressões contra. E o meu divórcio foi um dra...

UM POUCO DE MIM

Era uma vez uma estória. Da qual eu fazia parte. Eu trabalhava num escritório durante o dia e à noite ia para a faculdade de filosofia. Lá eu cursava exatamente filosofia. E não terminei o curso. Porque no meio do caminho eu ganhei um prêmio literário. E resolvi seguir o caminho literário. Que até agora não me tem dado dissabores. Não ambiciono uma fama muito grande não. Como está está bom. Escrevo de vez em quando. E para mim escrever é trabalhar. E trabalho é em casa. Montei aqui no meu quarto um pequeno estúdio e vou seguindo o caminho que escolhi. Quando eu disse que não quero para mim fama grande estava pensando que não quero ser o número um. Só ser mais um. E está bom. Quando menino, ganhava muitos livros. E os lia. De modo que minha vida foi bastante a dum solitário. E me encontro aqui hoje escrevendo e remetendo os meus textos pela internet para as editoras. E posso dizer que sou um homem feliz. Sem ganhar nenhum dinheiro com o que escrevo, sou feliz porque escrevo e publico. A...

CUIDADO, EVITE OS ESPINHOS.

Para deixar de Qualquer Coisa deve-se conhecer bem o terreno. Se sua área de trabalho é a escrita procure ler. Mas ler muito. E depois escreva. Mas pensemos em outra coisa. Eu aqui paro e penso na vida. Muitas vezes há na minha própria vida um acontecimento que eu posso reproduzir em palavras. Mas nem tudo merece registro. Não é o caso de aplicar a autocensura. Procure selecionar os casos que acaso queira contar. Não queime você mesmo seu filme. Caiu a ficha? Então, vá lá e escreva. E bons fluidos o acompanhem. E que você tenha um bom final para rir na sua casa com os seus. E tenho dito. 

DEIXE DE QUALQUER COISA

Sabem porque eu venho aqui praticamente diariamente? Não, não sabem. Vou dizer.  É porque eu trabalho para deixar para o futuro uma escrita decente. Porque hoje qualquer um escreve. È preciso coragem para escrever, ou se escreve qualquer coisa. O homem que primeiro colocou esta expressão, "Qualquer Coisa" como título de um trabalho artístico seu, Caetano Veloso, encerrou a sua carreira. Eu não o tive como ídolo. Prefiro Roberto Carlos, o Rei. Mas, voltemos a falar de escrita literária. Eu ùltimamente estou me esgotando literáriamente e quiçá me repetindo. Mas as palavras estão aí, em estado de dicionário. E agora, me dêem licença, vou ler e consultar o dicionário. Na tentativa de me remoçar. E tenho dito.