AS LETRAS MINEIRAS

 Quando eu comecei a escrever, eu estava me divorciando. Havia um anseio de que eu escrevesse sobre o meu divórcio. Coisa difícil para mim, porque envolve ainda hoje muita coisa. A minha própria estória e a estória de outras pessoas. Então coloquei na minha cabeça que precisava ler mais. E é o que venho fazendo. Mas voltemos ao início, quando eu comecei a escrever, embora possa não parecer, eu já tinha lido bastante. Passei noites lendo. Até que ganhei um prêmio.

O prêmio me foi importante, me estimulou a continuar. Mas me vi na situação de fazer um jejum de escrita. Tudo o que eu havia escrito até então estava comigo nas minhas gavetas. Aqui eu digo que muita coisa morre nas gavetas de muitos escritores. Não porque eles assim queiram de propósito. Mas por força de circunstâncias. E volto ao meu divórcio. Eu afirmo que quando eu me casei foi porque houve muito sentimento positivo. Entre eu e ela estava tudo certo. Mas, eu não aguentei as pressões contra.

E o meu divórcio foi um drama. Que depois de tudo eu e ela, resolvemos em paz.

Tivemos uma filha, e a menina foi criada por ela. Quase nada sei de minha filha, que só vi, depois de bebê, aos vinte e três anos de idade, e nunca mais.

Aqui eu digo, uma das coisas que eu digo é que nesse meu tempo as pessoas são muito mais sociais. E isso não é novidade entre as pessoas que eu conheço. Mas mesmo assim veicula-se muita ideia sobre antigos problemas sociais. Uma delas é a ideia sobre a palavra preconceito. Que quanto mais se fala sobre, mais piora, mais aumentam os preconceitos. Que se não tem, inventa-se. Então me isolei bastante do meio social, porque como dizem os mineiros, quem procura acha. E aqui enquanto estou sozinho, numa boa e gostosa solidão que eu chamo de criativa, eu não procuro nada. A não ser um assunto para escrever. E é assim hoje, procurei um assunto e achei. E as palavras puxaram as palavras. E tenho dito.

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