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DESCOMPROMISSO

 Eu estava aqui me perguntando até que ponto a escrita literária é descomprometida com a realidade. Descomprometida com qualquer realidade. O escritor imagina e transcreve para o papel. O leitor lê e se pergunta, às vezes, como foi que  o escritor acertou em cheio na coincidência com certa realidade. Isto acontece. A coincidência nem sempre é o relato fiel do que aconteceu. Mas bate de frente com certas realidades. E às vezes até dá a resolução de algum problema que está contido naquela realidade. Mas, o caso é que o escritor é um homem como nós mesmos. E ele tem dois olhos e os outros sentidos funcionando. Assim ele capta muita coisa de nossa realidade. Até pouco tempo se dizia que o artista da palavra era um ser mais sensível do que nós. Pode até ser. Mas transcrevendo com as palavras certos acontecimentos, ele às vezes nos encanta, ele às vezes nos indica uma solução.  Daí a importância da existência dos escritores. Nem todo mundo vai concordar comigo. Mas, o que fazer...

ELA E O MARIDO

Ela ia saindo para a missa. Era domingo e ela se vestiu com um vestido novo. Ele olhou-a e se inquietou: - Aonde vai? - À missa - ela respondeu, sem titubear. Ele não se aquietou: - Olha aqui... Ela olhou para ele: - O que foi agora, marido? - Da missa para casa. Ela abriu a porta e antes de sair disse: - E onde mais eu iria? Ele se aproximou dela: - Quem vai me dizer?  - O que você está insinuando? - Você com este vestido novo. - Ora! - E ela se foi. No caminho ela se encontrou com a comadre. E seguiram as duas conversando. Amenamente. Chegaram à igreja. Cada uma foi para o seu lado. O padre começou a celebração. E na pregação daquele dia o assunto foi: - A união do casamento é para sempre. Ela era fiel à igreja. Seguiu  a celebração com o rosto sereno e sério. Depois da missa a comadre lá estava. No adro a espera dela. E as duas conversaram: - Olha, comadre, eu só não lhe perguntei foi sobre o seu marido. - ... Mas, enfim ela viu ali, mesmo que não tenha respondido no primei...

UMA ESTÓRIA DE SOBREVIDA

Vinham noivando. A festa do noivado foi bonita. Ele a presenteou com um anel. E ela lhe deu um beijo como nunca antes tinha o beijado. Depois, os dias foram se passando. Todos os dois trabalhavam. E durante o dia, às vezes ele telefonava para ela. Ela, ao atender, dizia: - Você quer é ouvir a minha voz. Ele imaginou consigo mesmo, se fosse para conferir se ela está... Mesmo assim, continuava ligando o telefone para ela. E o amor ia seguindo seu caminho de tranquilidade. Certo dia, ela lhe disse: - Vou ter que viajar a serviço. E ele: - Não vejo problema. Quando ela voltou, ele a esperou no aeroporto. E a levou em casa onde a mãe dela perguntou na frente dele: - O que ele falou da sua viagem? - Ô, mãe, nada, nem pode falar. Eu estava a serviço da empresa onde trabalho. E no dia seguinte foram a um cinema. Ambos gostaram do filme. O que fez com que eles viessem satisfeitos para casa. E se despediram com palavras doces. Mas, eu não contei que entre os dois vivia o fantasma de um ex-namora...

QUE ME VEM DO CORAÇÃO

Cheguei ao ponto em que cheguei com a ajuda de minha família. Que sempre foi pequena. E que certa vez me agradeceu por eu ter escrito poesias para os seus membros. Eu disse, em resposta: - Bobagem. Eu queria dizer é que poesia minha era bobagem. Mas que existiam os grandes poetas. Mas me disseram: - Não é bobagem, não. Eu retruquei: - Como assim? - Ora, são palavras do seu coração. Eu vi então que os meus  agradecimentos, que eu tinha começado, podiam continuar. Mas meus familiares foram evoluindo e um dia me disseram que não apreciavam mais o que eu escrevia. Eu me consolei: - Mas, também, já agradeci demais! E aqui estou: blogueiro agora. E porque gosto principalmente de escrever. Vou escrevendo ao sabor das palavras, confessadamente palavra puxa palavra. E por falar em palavra, eu amo principalmente as palavras. Tenho meus escritos, que não releio. E no coração uma ânsia enorme de sempre estar escrevendo. E digo, hoje para mim a escrita é coisa principalmente que me vem do coraç...

TER UMA BIBLIOTECA

Agora vou contar aqui uma estorinha que me aconteceu. Saí de casa e fui para uma biblioteca pública. Lá chegando procurei numa de suas estantes um bom livro para ler. Achando-o procurei uma mesa e lá me sentei e comecei a ler. Nunca fui rico e não o sou ainda hoje. Mas gostava de cuidar de mim e de minha aparência. Não vendo nisso nenhum mal. Estava lá sentado e lendo quando um jovem se aproximou e me perguntou: - O senhor é estudante de Engenharia? Eu o estranhei, mas não por causa da Engenharia. O curso de Engenharia nos dá os maiores valores profissionais. Mas, por que àquela altura eu ainda não havia pensado em fazer curso superior. Mas pensei um pouco e respondi: - Não, não sou da Engenharia. Outros incidentes parecidos me levaram foi a procurar trabalho. Movido principalmente por meu interesse em adquirir livros de meu interesse. Os quais eu pudesse ler em casa depois do trabalho. E não é que eu fosse antissocial, mas já me disseram que não pareço brasileiro. Por não ter esse jei...

NA FACULDADE DE LETRAS

 O rapaz acabara de ser aprovado no vestibular para Letras. E bem classificado. A moça também, E ali, na Faculdade, ficaram se conhecendo. Logo fizeram amizade. Ele acreditava ser possível trava amizade com uma moça. Ela não sei. Assistiam as aulas e faziam os lanches na lanchonete da escola. Conversavam muito. Mas, ambos eram inocentes. As aulas terminavam no fim da noite. Eles pegavam o ônibus que os levariam embora juntos. Moravam muito próximos um do outro. E, um dia, um novato na Faculdade veio e disse: - Você tem uma namorada muito bonita. Este novato estava só querendo fazer amizade. E pensou realmente que eles já eram namorados. Ele o achou um rapaz inconveniente. Não deu atenção à fala do novato. E ele e a moça seguiam a sua amizade. Até que certa vez, estavam fazendo o lanche na lanchonete da escola, e a moça lhe disse: - Olha, estou apaixonada. Ele, o rapaz, foi pego de surpresa. Ficou sem ter o que dizer. Ela não deixou por menos: - O que eu acabo de dizer exige uma res...

E ELE FOI-SE EMBORA

Aquele acontecimento na estória dele foi, no mínimo, triste. O fato é que ele se casou com ela. E também se descasou. Por ali nunca tinham visto coisa igual. Dois descasados que conviviam. E muito bem. Mas outra coisa veio a acontecer. O falatório dos que eram alheios ao caso dos dois. Causou muito mal estar para os dois. É que ele se explicou assim: - Os que danaram a falar eram provincianos demais. - O que você quer dizer? - Ora, nem ler um livro que conta estórias, liam. - Mais ou menos eu compreendo. - Mas, tem mais mais. - O que? - Você que me contou estórias da sua terra, sabe. Na sua, na minha terra, essas coisas não se cansam de acontecer. - E então porque o mal estar causado? - É simples. Aquilo ali era uma empresa. - Não compreendo. - Não? Pense que todos estavam sujeitos a promoção quanto a punições ali. - Ah, agora ficou óbvio. - Religiosamente, o caso era de adultério. - Pela lei também. - A empresa demitiu alguém? - Não, esperaram. E ele ofereceu a solução. Se demitiu. Fi...