FAZER A VIDA, DEPOIS ESCREVER
Primeiro fiz minha vida. Não sem sofrimento. Quando alguém me ouve dizer isto, pensa logo que é choro meu. Mas aos trancos e barrancos e com a ajuda dos meus aqui estou. E agora estou escrevendo. Realmente eu tinha em mim a escrita. Pretendia que ela fosse literária. Mas, agora, aqui, eu não sei se posso chamá-la literária. Mas chamo-a de literária. Pois uma vez um professor de Letras ao me ler me disse que eu era novo nas letras. Agradeci e não desisti, continuo escrevendo. Hoje eu me lembrei de uma coisa. Um dia eu contei a uma mulher do povo que deviam oferecer a ela, mil rosas. E ela me disse: - E essas mil rosas sairiam machucadas. E isso é simples de entender. Geralmente se dá rosas à namorada. Mil rosas a ela, ela que já sofrera tanto... Eu fui cumprimentado por um oficial da FAB, eu que servi lá e saí quando era aluno. Me emocionei com ele. Gentil e educado ele foi para comigo. E também me lembrei que a Lei da Anistia já me favorecera, através de meu pai. Hoje sou um pensionist...