ONTEM
Ontem, eu escrevi sobre a velhice. Mas, hoje eu estou me sentindo perfeitamente bem. E não apenas uma variação de humor, não. Estou sentindo meu corpo. E meu corpo me diz que ele sou eu integralmente, apenas as pernas um pouco fracas. E setenta anos é uma estória de vida. Me divorciei e gente alheia ao me caso me disse uma homem que gosta de viver perigosamente. Nessa ocasião eu trabalhava num escritório e respeitava todos os horários. Chegava lá, colocava minha pasta no chão coberto com carpete, e trabalhava. Fim do expediente do dia, eu ia para a faculdade. E lá estava eu na FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS, a FAFICH, da UFMG. Uma das mais conceituadas faculdades do meu país. Decerto não fui um aluno brilhante, para que mentir. E hoje vivo aqui e leio muito. Inclusive Filosofia. Os livros me remoçam. É incrível, isso!
E o ontem me veio porque eu me lembrei de uma noiva que tive. Já não dava mais para filosofar. Um professor marxista foi a minha salvação. Sempre deteste Marx, me explicando: detestei sempre as palavras do fundador do marxismo e briguei com o professor. Ele era doutor em filosofia. Poderia muito bem nos falar de outros filósofos. Mas a noiva que eu tinha cismou em se graduar. Rompemos o noivado. Ela já era formada em História, o que era uma vantagem para ela. Eu me senti aliviado nas minhas responsabilidades. E não estou escrevendo para me vingar, não. A ex-noiva queria era títulos e uma bela aposentadoria. O que ela hoje tem. Mas eu estou aqui, a cada vez que me chegam livros com textos publicados de minha autoria eu me realizo. E estas realizações me chegam ao coração que são uma delícia.
Eu não penso muito no que poderia ser se eu tivesse me casado com ela. Seguindo meu coração é que eu digo; descobri a solidão criativa. E tenho dito. E que Deus me abençoe. E chegamos ao hoje.
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