LER AJUDA A VIVER
Moro e vivo hoje nesta pequena e pacífica cidade aqui em Minas. Tenho poucos contatos com as pessoas e não tenho tido dissabores. Eu quase chamo isto de Felicidade. Mas, é. Meu espírito conquistou assim tal paz que acho tempo para ler e escrever. E para que tenham ideia do que falo, a velocidade com que as coisas acontecem no grande centro me adoecia. Eu aqui vivo com meus livros e minha escrita, e isto me basta. No mais, o que eu preciso eu peço à minha irmã caçula e ela me traz ou me manda. Dizem que o que é doce acaba um dia, é a única coisa que temo.
E não só escrevo e leio, como rezo muito. E rezando eu nem penso em males. Escrevo esta última frase pensando em meus discos, que já não os tenho, e que as pessoas costumam dizer:
- Quem canta os males espanta.
Eu não espanto os males rezando, não. Rezo para aliviar minha alma.
Os cantos dos poetas são os que últimamente me encantam. E se houver alguém que diga que os poetas são mudos, é porque nunca leu poesia.
E não é de hoje que leio poesia. De Camões a Ezra Pound, eu leio. Cada qual a seu tempo. E não digo que por isso sou melhor do que ninguém. Claro que não, leitura hoje em dia as pessoas têm. Para vocês terem uma idéia do que falo, um dia eu disse a uma pessoa:
- Pobre da pessoa que não lê.
Sabem o que ela me respondeu:
- Eu leio muito direito, e você?
-Eu leio muito literatura.
E a pessoa:
- Pois se precisar de advogado pode me procurar.
Eu disse a ela:
- Procuro sempre andar no caminho do bem.
Mas a amizade estava feita. E tenho dito.
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