DA VELHICE
Saber que chegamos à velhice tem dois lados. Um lado diz respeito ao crédito que merecemos das pessoas que nos rodeiam. Claro que eu me julgo merecedor de todo crédito delas. Tive erros no passado, mas deles me perdoei antes mesmo de procurar o perdão alheio. E o que é o perdão alheio, é aquela palavra verdadeira que nos afaga o coração. E isso eu tenho. Não a palavra de muitos, mas a palavra das pessoas necessárias. Então perguntarão sobre o que eu estou querendo. Não estou querendo nada mais do que tenho. Estou apenas discorrendo sobre mim mesmo. Como alguns escritores que eu já li o faziam, e eles o faziam sem querer satisfazer nenhuma necessidade do tempo em que viviam. Os que fazem isso são escritores passageiros. São escritores que têm uma necessidade enorme de aparecer, serem notáveis, famosos. Eu estou aqui apenas escrevendo.
Agora o outro lado de sabermo-nos velhos. Eu estou com setenta anos de idade. Não gosto de dizer a frase tão comum: a cacunda pesada. Isso cheira a muitos pecados. E eu dizia até outrora que tenho a consciência limpa. Dizia até outrora, porque da última vez que eu disse isso, ouvi:
- A consciência é com Deus.
E a consciência é com Deus mesmo. Então se estou bem comigo mesmo, e se consigo me expressar deste modo, tenho a velhice leve, pouco dolorida, dói-me apenas o joelho. E pouco. E ouvi de uma jovem:
- Problemas de saúde hoje em dia, todas as pessoas têm.
E ela dizia a verdade. E eu não ri dela, acolhi o dito dela, como ela mesma diz: dito, e o repito aqui. E a velhice, para esta idade temos mais é que nos preparar. E tenho dito. E que Deus me abençoe.
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