O ESCRITOR É UM EXIBIDO
Quando se escreve e se publica nós não temos classe social. Este quesito, classe, pode ser solicitado de quem quer frequentar. Mas, nós escritores, damos nosso jeitinho. E se obedecemos às leis do nosso tempo, podemos às vezes até nos rir de alguma coisa ao nosso redor. Mas nunca poderemos dizer que somos escravos. A escravidão foi abolida em nosso país pela corte da Princesa Isabel, filha de D. Pedro II. E isso me deixa estar aqui aposentado lhes escrevendo, meus caros que talvez possam estar me lendo.
E nesse momento eu rio é de mim mesmo: que prazer imenso é pensar que talvez tenha leitor ou leitores. Essa é a ambição do escritor. Os escritores há que às vezes escrevem para ninguém ler. Coisas da história da escrita.
Quando eu trabalhava longe de casa, dificilmente eu escrevia cartas. Nem mesmo para meus familiares. Eles acabaram me cobrando esta falta minha. Mais exatamente, quem me cobrou isto foi minha mãe. E por fim, um dia ela se impacientou e se irritou comigo dizendo-me:
- Você não teve pai nem mãe?
Eu acabei me envergonhando. O que ela, minha mãe, viúva que fizera tudo por nós, os filhos, queria era que eu contasse um pouco da minha vida nas cidades onde trabalhei. Coisa difícil, o Casmurro aqui sempre esteve foi com um livro nas mãos.
E não sou nenhum sábio. É que gosto imenso de ler. E tenho dito.
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