INGRATAS, AS LETRAS?

Sou rico de Deus e de experiência de vida. Passei anos viajando por este estado, o meu, Minas Gerais. Gosto naturalmente das pessoas. Mas não sou intrometido. Quer dizer não me meto com quem não conheço direito. E ganhei minha experiência de vida trabalhando em escritórios. Para que tenham uma boa ideia de minha pessoa, tive seis empregos. Um atrás do outro, e nunca fui despedido por justa causa. Sempre dei um jeitinho, pedi minha demissão. Mas sem deixar nenhuma marca ruim, que alguém pudesse se lembrar de mim de modo negativo. Pelo contrário, as pessoas com quem trabalhei às vezes me encontram na rua. E me perguntam:

- Como vai você?

- Eu vou bem.

- É bom saber, que vá melhor, é o que lhe desejamos.

Quando as pessoas se lembram da gente da melhor maneira, quem lucra somos nós. E eis aqui, escrevendo. E vou narrar um pequeno caso que me aconteceu.

Era eu noivo de uma estudante de Filosofia. E um dia, estando eu na casa dela, apareceu na sala de visitas lá um primo dela dizendo:

- A literatura é uma atividade ingrata.

Não é preciso gastar muito tutano para saber porque. A questão é simples. Estava já nesta época todo mundo atrás de dinheiro. O que dá, o que não dá. E a literatura andava por onde sempre andou. Um ou outro sobrevivia escrevendo. E a maioria dos escritores lidando com dificuldades.

Eu então concordei com ele. Mas não por concordar, mas porque escrever sempre foi uma atividade ingrata.

E contei o que queria contar. Agora, aqui estou eu. Com muitos trabalhos publicados, e mesmo assim sendo apenas mais um dentre os que escrevem. E gosto imenso desta posição de ser apenas mais um. E viva eu, viva o gordo e viva o rei.  

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