UM POUCO DE MIM
Eu estava ali, parado na esquina, e me lembrei de que tinha que vir e escrever. Vi homens sem fazer nada, e me recolhi em casa com certa pressa. Ao chegar e estar no meu quarto-estúdio sossegado pensei que aqueles homens à toa bem podiam também escrever. Porque, claro, com o preço módico dos PCs, qualquer um pode comprar o seu e aprender a lidar com o WORD.
Mas, por outro lado, cada qual sabe de si. E silencio minha sugestão antes que eles me façam as deles. Eu estou satisfeito de ter o que fazer em casa. A empregada já se foi, deixou tudo o que preciso pronto. E daqui a pouco eu vou é jantar. Querem maior comodidade para mim? Não é que eu seja um comodista, existem muitas coisas a que eu não me acostumei. Como cozinhar. Lavar roupa e passá-la. E eu nunca vou me acostumar a arrumar a casa.
Mas, deixemos isto de lado. Quero falar da minha estadia nesta pequena cidade do interior. Estadia a que já me acostumei e aprecio com os olhos de quem vê este fato como o bem melhor que me fizeram. Aqui encontrei o sossego e a solidão eu preciso para cultivar minha imaginação. Que não é muito fértil. Mas aqui, escrevendo aqui. e vez em quando escrevendo textos que mando para as editoras, via email. Aqui, eu me considero um escritor.
E ser escritor era o que estava em primeiro lugar na prioridade de minhas ambições. Por aí, verão que talvez o sujeito que me disse que ser escritor era uma ambição muito pequena, estava certo. Embora eu me diga que não. Porque ele ambicionou a vida inteira um emprego estável, e lutou até consegui-lo. Agora eu conto de mim, lutei de verdade foi para ter meu quarto-estúdio onde eu pudesse fazer meus escritos. E vim para cá acompanhando minha mãe que partiu e me deixou uma pensão cômoda. E vou sobrevivendo e escrevendo.
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